Energia como ferramenta sustentável

Jovanio Santos , Head de estratégia da Thymos Energia

Setor elétrico é fundamental para o cumprimento das metas do Acordo de Paris

O Brasil está entre os países que assinaram o Acordo de Paris assumindo o compromisso de reduzir suas emissões de carbono. Segundo a Agência Internacional para as Energias Renováveis (IRENA), a substituição das fontes energéticas por opções renováveis pode ser um vetor bastante estratégico.

Porém, a equação não é tão simples. Não basta optar por fontes renováveis; é preciso modernizar os processos e aperfeiçoar o desenho de mercado setorial. Há quatro caminhos relacionados à energia que podem contribuir de forma significativa para que os países atinjam as metas de descarbonização. O primeiro deles é a eletrificação, ou seja, adotar a eletricidade em atividades como transporte e aquecimento, entre outros serviços, na medida do possível. Entretanto, para que essa medida seja efetiva na diminuição do uso de combustíveis fósseis, deve estar alinhada com a transição energética e a descarbonização da matriz elétrica dos países. Caso contrário, pode-se ter a situação, por exemplo, de veículos elétricos sendo recarregados com geração fóssil.

A segunda medida que pode contribuir para um planeta mais limpo é investir em eficiência energética. Um dos conceitos fundamentais ligados à sustentabilidade é fazer mais com menos e evitar o desperdício. Por essa razão, a eficiência energética deve estar no radar das empresas e dos governos,  diminuindo perdas de energia e proporcionando economia e otimização dos processos.

De forma complementar, há uma terceira medida, relacionada ao investimento em inovação. A pesquisa e o desenvolvimento de novas tecnologias, necessárias inclusive para o aumento da participação de energias renováveis nos sistemas elétricos, como a utilização do hidrogênio como vetor energético e a captura e utilização de carbono (CCUS na sigla em inglês), contribuirá de forma pivotal para otimizar a geração, o transporte e o consumo de energia.

Por fim, a última vertente que merece atenção especial é focar na redução das emissões de metano, já que este gás é mais nocivo do que o CO2 para o meio ambiente, além de ser considerado responsável por 30% do aumento da temperatura global já registrada, sendo, portanto, uma vertente diretamente vinculada à transição energética. De acordo com a Agência Internacional de Energia (IEA), o setor de energia é responsável por 40% do metano lançado na atmosfera hoje.

As energias renováveis e tecnologias correlatas são os principais movimentos para a redução de emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE). Com o desenvolvimento tecnológico e o barateamento dessas fontes, o crescimento da energia limpa na matriz elétrica mundial já é uma realidade. Em paralelo, precisamos tornar também expressivo o desenvolvimento dos 5Ds: democratização, descentralização, desenhos de mercado, descarbonização e digitalização.

O Brasil já figura na linha de frente dos países com maior porcentagem de fontes limpas. Agora, é necessário acelerar a modernização do setor elétrico e a abertura do mercado para impulsionar as quatro vertentes supracitadas e tornar a nação mais próxima das metas do Acordo de Paris.