A sustentabilidade da distribuição: modelo de DSOs

João Carlos Mello, Alexandre Viana e Victor Ribeiro

O sistema elétrico que conhecemos, com abordagem centralizada e unidirecional, está em transformação. O sistema do futuro terá uma abordagem descentralizada e bidirecional, resultado das evoluções tecnológicas, do empoderamento do consumidor e das consequentes alterações necessárias no desenho de mercado e na regulação.

Nesse novo contexto de negócios, as distribuidoras de energia possuem um papel fundamental: elas podem atuar como alavancadoras da transformação do mercado. Entretanto, a diversidade de Recursos Energéticos Distribuídos (REDs), sejam os recursos já conhecidos ou as inovações que surgirão, demandarão um novo modelo de remuneração para esses agentes.

O modelo clássico de remuneração das distribuidoras considera uma abordagem de custos com um lucro administrado, dada a visão de monopólio natural e de emular um ambiente competitivo. Neste cenário, a proposta é de que a remuneração das distribuidoras deve seguir uma lógica de rateio de custos entre usuários, a chamada abordagem de tarifa. O setor elétrico do futuro demanda uma visão de agregação de valor, na qual a receita das distribuidoras deve ter uma lógica de valor adicionado à indústria de energia elétrica e à sociedade.

A discussão da modernização do setor elétrico continua relevante para que seja possível, inclusive, acomodar as novas tecnologias de forma a desenvolver a sociedade brasileira. Contudo, preparar a regulação para o futuro também é relevante, ou seja, necessita-se criar um desenho de mercado mais dinâmico e menos engessado, que possa acomodar choques, mas também que fomente o surgimento de novos negócios no nível de distribuição. A regulação do futuro deve assegurar à distribuidora uma remuneração condizente com o valor que essas empresas agregam à sociedade e ao setor, em linha com o que tem sido chamado de Distribution System Operator (DSO).

O objetivo deste White Paper é apresentar a visão da Thymos Energia sobre a construção do contexto regulatório e comercial para o surgimento da figura do DSO no mercado brasileiro, fomentando um setor elétrico dinâmico e capaz de agregar as novas tecnologias que existem e as que virão.