Uma nova era para o PLD

Alexandre Viana , sócio e diretor da Thymos Energia

Mudanças importantes no setor elétrico se anunciam para o ano de 2021. A reforma deve evoluir e, além disso, está agendada para janeiro a entrada oficial da modalidade horária para o Preço da Liquidação das Diferenças (PLD). A adoção do preço horário na comercialização de energia é um dos passos acertados na direção da modernização do mercado.

As mudanças na matriz elétrica e nos perfis de consumidores que aconteceram nos últimos anos demandaram uma revisão na formação de preços para o mercado de curto prazo. As definições semanais dos valores não refletem mais adequadamente as condições do sistema, principalmente em horário de pico. Nos últimos anos, foi possível observar uma alta volatilidade do PLD, além de episódios em que os valores semanais estavam em desacordo com a realidade operativa do sistema elétrico.

Uma das propostas para melhorar a formação de preços é a implantação da modalidade horário, que representa melhor o cenário operativo, levando em conta os momentos de maior e menor consumo ao longo do dia. Sua adoção em 2021 refletirá em preços mais realistas e transparentes, o que, por sua vez, ajudará na construção de um mercado mais maduro e moderno.

Outro ponto positivo que destacamos nessa medida é a revisão no cronograma. Anteriormente, a adoção estava prevista para janeiro de 2020, mas foi adiada acertadamente para 2021. Embora benéfica em diversos sentidos, a aplicação da modalidade horário não é simples de colocar em prática. O Operador Nacional do Sistema (ONS) e o Centro de Pesquisas de Energia Elétrica (Cepel) empregaram diversos esforços, nos últimos anos, para chegar a uma metodologia ideal. E, até o fim de 2018, apesar dos avanços obtidos, o Modelo de Otimização Hidrotérmica Diária (DESSEM) não estava totalmente estabilizado.

Isso significava não ter todo o ano de 2019 para uma operação “sombra” que resultasse em publicação de dados refletindo o modelo final de formação de preços. Esse tempo é o mínimo recomendado para um teste eficaz, que permita aos agentes de mercado uma preparação adequada para a operação oficial. O adiamento para 2021 possibilitou uma preparação adequada para desfrutar de uma melhor sinalização de preços no ano que vem.

Com o preço horário, o planejamento pode ser um desafio, sobretudo para o consumidor. Uma gestão eficiente de energia elétrica passou a ter um valor ainda maior. É necessário adequar o consumo de energia com a nova modalidade horária, para não se expor aos momentos de maior custo no mercado de curto prazo.  Além disso, os preços das diferentes fontes de energia também podem sofrer alterações de acordo com a geração mais ou menos próxima do horário de pico.

A modernização do setor tem o objetivo de adequar o mercado a um perfil de consumidor mais exigente e com anseio de liberdade. Entretanto, o consumidor também precisa se adaptar às novas configurações e possiblidades adotando práticas eficientes de gestão de energia. Preços mais realistas vêm em 2021, mas é necessário se preparar para o novo cenário.