Tarifas: impacto mitigado

João Carlos Mello , presidente da Thymos Energia

Os contratos da Conta-covid foram assinados nesta semana, com valor total de R$ 15,3 bi, um pouco menor do que o teto estabelecido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). Essa foi uma medida acertada, estratégica, que garantiu não apenas o presente, mas também o futuro e a modernização do setor elétrico. A rapidez com que a Conta-covid foi adotada evitou um efeito cascata de quebras de contratos, que poderiam prejudicar a liquidez e a saúde financeira de diversas empresas do setor.

O empréstimo da Conta-covid será pago pelas concessionárias em 54 parcelas, com a primeira prestação prevista para junho de 2021 e a última para dezembro de 2025. Embora o pagamento parcelado vá impactar as tarifas nos próximos anos, a medida mitigou o efeito da pandemia, evitando uma alta excessiva das faturas de energia dos consumidores neste ano, em meio à crise.

De acordo com um estudo elaborado pela Thymos Energia, as tarifas das distribuidoras com reajuste programado para o segundo semestre de 2020 devem ficar, em média, entre 6% e 7%. Grande parte do aumento é influenciado pela valorização do dólar durante a crise mundial causada pela covid-19. A moeda eleva o custo do insumo proveniente da usina Itaipu Binacional, que corresponde a mais de 11% de toda a energia elétrica consumida no Brasil.

Há outro fator ligado à pandemia que terá reflexo no aumento das tarifas: para fazer frente à queda no consumo de energia e aliviar a pressão sobre os consumidores, a ANEEL decidiu manter a bandeira verde até dezembro deste ano. Com essa decisão, não há cobrança de taxa extra sobre a energia consumida e as distribuidoras deixam de arrecadar esse montante.

Em janeiro, antes do início da pandemia, a Thymos Energia havia calculado uma queda média de 3,08% na tarifa. Com os efeitos da covid-19 no Brasil, a estimativa passou a ser de  aumento, cujo percentual seria ainda maior se o governo não tivesse adotado o auxílio às distribuidoras. Segundo a consultoria, sem os recursos da Conta-covid, os aumentos seriam até 3% maiores, fazendo com que as contas de luz chegassem a ficar 10% mais caras este ano.

Em uma crise sanitária global como esta, com diversos impactos econômicos, é inevitável que o País e os consumidores sofram algumas consequências, porém, a adoção da Conta-covid demonstrou que, com uma estratégia rápida e eficaz, é possível mitigar parte dos efeitos. Com os prejuízos diluídos até 2025, as empresas do setor conseguirão manter a sustentabilidade e retomar seus investimentos.